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Nossa Senhora das Dores

nossa-senhora-das-doresNossa Senhora das Dores – 15 de Setembro

A memória de Nossa Senhora das Dores se dá um dia depois da festa da Exaltação da Santa Cruz (14/setembro). Estas duas festas nos convocam para ingressar na peregrinação espiritual até ao Calvário. Assim, podemos compreender que ambas as festas não se separam, isso devido ao seu sentido mais profundo. Sentido este que nos relembra sobre a “árvore da vida”, isto é, a própria cruz.

Cristo padeceu na cruz para implantar o projeto salvífico do Reino de Deus para toda a humanidade, e por isso podemos afirmar que somos todos descendentes desta “árvore da vida”, pois é mediante a cruz que podemos afirmar que Deus concedeu-nos a Salvação. (1)

“A partir do momento em que Jesus fez dela o instrumento da salvação universal, a Cruz já não é sinônimo de maldição mas, ao contrário, de bênção. Ao homem atormentado pela dúvida e pelo pecado, ela revela que “Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho único, para que todo o que n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Numa palavra, a Cruz é o símbolo supremo do amor.” (2)

Maria testemunhou com sua própria vida, a necessidade que há em ser fiel ao Senhor, uma fidelidade que não seja só nas alegrias, mas, sobretudo, nas dores. Durante sua vida a Virgem Maria teve muitas alegrias, mas também co-participou das dores de seu Filho. E como toda mãe, não há separação entre as dores de um filho e as suas próprias dores, porque se um filho sofre a mãe sofre também, e às vezes essas dores e sofrimentos dói muito mais na própria mãe do que no filho.

Sendo assim, podemos compreender o sentido originário da devoção a Nossa Senhora das Dores, cuja devoção deve início na Idade Média. Esta devoção à Virgem das Dores foi difundida particularmente pelos Servitas e os Passionistas. A introdução desta memória na liturgia da Igreja deu-se mediante o Papa Pio VII.

 “A participação dolorosa da Mãe do Salvador em sua obra de salvação (Lc 2,33-35) é atestada na hora da cruz por João, que a recebeu por Mãe (Jo 19,25-27). Atualmente, essa Memória se concentra melhor sobre ela e sobre o sacrifício de Cristo que ela própria oferece com ele ao Pai”. (3)

Maria, então, é esta co-participante da história salvífica de Deus; como Mãe ela nunca abandona seus amados filhos e certamente com eles padece. Em e com Maria, mãe e serva do Senhor, podemos ter a certeza que ela está sempre conosco, nas alegrias e nas tristezas, na saúde e na doença, na vida e na morte; Maria se faz sempre presente em nossa vida e em nossa história. Assim compreendemos que Nossa Senhora das Dores representa para todo cristão que ela compartilha de nossas dores e de nossos sofrimentos. Maria é esta fiel mãe que nunca nos abandona.

Junto a esta devoção, encontramos a Coroa de Nossa Senhora das Dores, cujo início se deu na Itália em 1617. A coroa é fruto do carisma mariano da Ordem dos Servos de Maria, os quais desde 1233, ano em que a Ordem foi fundada, se cultiva devoção a Virgem das Dores.

A Coroa das Dores, assim como a Coroa Franciscana, possui sete ‘mistérios’ que contemplam as sete dores de Maria, a saber, a profecia de Simeão (Lc 2,34-35); a fuga para o Egito (Mt 2,13-14); Maria procura Jesus em Jerusalém (Lc 2,43b-45); Jesus encontra a Sua Mãe no caminho do Calvário (Lc 23,26-27); Maria ao pé da Cruz de Jesus (Jo19,15-27a); Maria recebe Jesus descido da Cruz (Mc 15,42); Maria deposita Jesus no Sepulcro (Jo 19,40-42a).

 “A Coroa de Nossa Senhora das Dores é uma oração apropriada para a nossa realidade brasileira, onde dor e sofrimento são o pão de cada dia de tantos irmãos e irmãs. Os sofrimentos de Cristo e de Maria prolongam-se na vida dos que sofrem e lutam pela justiça e pela libertação. Inspirando-se em Maria, cada um de nós saberá carregar a sua cruz e colocar-se aos pés das infinitas cruzes da humanidade, onde Cristo continua sendo crucificado nos irmãos.” (4)

Com Maria, portanto, somos convidados a olhar para a Cruz do Senhor e aspirar às forças necessárias para continuarmos vivendo e testemunhando o mandamento que Jesus nos ensinou “amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” (Jo 15,12)

Oração a Nossa Senhora das Dores

Ó Deus, quando o vosso Filho foi exaltado, quisestes que sua Mãe estivesse de pé, junto à cruz, sofrendo com ele. Dai à vossa Igreja, unida a Maria na paixão de Cristo, participar da ressurreição do Senhor. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

Por Osvaldo Maffei

 

(1) Esta compreensão da Cruz como “árvore da vida” é nos transmitida pela escola dos Santos Padres.

 (2) Audiência do papa João Paulo II no dia 15 de Setembro de 2002; Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/angelus/2002/documents/hf_jp-ii_ang_20020915_po.html

(3) MISSAL COTIDIANO. 9.ed.  São Paulo: Paulus, 2009, p.1739.

(4) Disponível em: http://somosservos.blogspot.com/2007/08/coroa-de-nossa-senhora-das-dores.html