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Nossa Senhora Rainha

beata_vergine_maria_regina_ajNossa Senhora Rainha – 22 de Agosto

O título de Nossa Senhora Rainha é conferido carinhosamente a Mãe do Senhor como forma de reconhecimento daquela que sou ser a serva perfeita do Senhor. Beinert nos apresenta o que significa dizer que a Virgem Maria é a nossa Rainha.

 […] o título de “Rainha” atribuído a Maria deve ser entendido em sentido impróprio e translado, não somente pelo fato de que ele não indica uma posição jurídica de mando semelhante àquela que compete a uma monarca ou a uma “rainha”. Olhando as coisas mais de perto, fica claro que a base e a justificação teológica do título devem ser tiradas, mais uma vez, da íntima relação existente entre a Virgem-Mãe mediadora da salvação e o seu Filho. Maria pode ser chamada Rainha porque, enquanto Mãe e serva do Senhor, mostrou-se digna de sua sublimidade. Por isso o título de Rainha é somente a transposição da maternidade de Maria para o plano do elevado, do sublime, do grandioso, que suscita no homem temor e assombro diante desta maternidade. Mas o motivo de tal reação não está num esplendor próprio de Maria ou em sua pretensão, nem numa grandeza que lhe pertença por natureza (e que os teólogos da Idade Média às vezes procuram demonstrar, esforçando-se por provar que ela descendia da família de Davi), mas na sua vocação de ser a Mãe e serva perfeita do Senhor e Rei do universo. Este caráter real não resulta de uma pretensão de domínio que lhe pertença ou que lhe tenha sido concedida, mas antes do caráter de serviço perfeito, próprio de sua vida. Trata-se daquela forma real fundada nas qualidades interiores, em que a liturgia celebra também em outros lugares, como quando afirma que “servir a Deus” equivale a “reinar” e que a grandeza espiritual e interior do homem nasce justamente de sua submissão e serviço. (1)

O título de Nossa Senhora Rainha oficialmente foi instituído pelo papa Pio XII que no final do ano mariano, em 1954 fixou esta festividade para o dia 31 de maio. No entanto, a data foi alterada no novo calendário geral para o dia 22 de agosto.

Ao denominar a Virgem Mãe como Rainha do céu e da terra, reconhecemos que ela foi esta magna servidora do Reino de Deus, uma vez que foi por meio dela que Deus instaurou o projeto salvífico. Rainha, então, diz do modo de ser daquela que se coloca na servidão, daquela que se põe junto ao povo e pelo povo intercede a Deus.

Maria por meio de sua assunção junto de Deus tornou-se então a rainha do céu e da terra. Assim, pode-se entender que foi Maria a primeira a realizar em si a promessa do Senhor: “Comereis e bebereis à minha mesa no meu reino e sentar-vos-eis em tronos para julgar as doze tribos de Israel” (Lc 22,28-30).

Nossa Senhora Rainha, com seu maternal carinho, acolhe a todos quantos necessitem de sua atenção. A este título mariano muitos acrescerem outros títulos como forma de amor e devoção a Mãe de Deus. Tais como: Nossa Senhora Rainha dos Anjos; Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos; Nossa Senhora Rainha dos Frades Menores; Nossa Senhora Rainha da Paz; e outros.

Sendo assim, o papa João Paulo II na audiência do dia 23 de julho de 1997 faz as seguintes considerações sobre a Rainha do Universo.

 “A devoção popular invoca Maria como Rainha. O Concílio, depois de ter recordado a assunção da Virgem «à glória celeste em corpo e alma», explica que Ela foi «exaltada por Deus como Rainha do universo, para assim se conformar mais plenamente com seu Filho, Senhor dos senhores (cf. Ap 19, 16) e vencedor do pecado e da morte» (LG, 59).

Com efeito, a partir do século V, quase no mesmo período em que o Concílio de Éfeso a proclama «Mãe de Deus», começa- se a atribuir a Maria o título de Rainha. O povo cristão, com esse ulterior reconhecimento da sua excelsa dignidade, quer colocá-la acima de todas as criaturas, exaltando a sua função e importância na vida de cada pessoa individualmente e do mundo inteiro

[…]

Elevada à glória celeste, Maria dedica- se totalmente à obra da salvação, para comunicar a cada vivente a felicidade que lhe foi concedida. É uma Rainha que dá tudo aquilo que possui, comunicando sobretudo a vida e o amor de Cristo”.(2)

Procurem, pois todos, e agora com mais confiança, aproximar-se do trono da misericórdia e da graça, para pedir à nossa Rainha e Mãe socorro na adversidade, luz nas trevas, conforto na dor e no pranto; e, o que é mais, esforcem-se por se libertar da escravidão do pecado, e prestem ao cetro régio de tão poderosa Mãe a homenagem duradoura da devoção dial. Freqüentem as multidões de fiéis os seus templos e celebrem-lhe as festas; ande nas mãos de todos a piedosa coroa do terço; e reúna a recitação dele – nas igrejas, nas casas, nos hospitais e nas prisões – ora pequenos grupos, ora grandes assembléias, para cantarem as glórias de Maria. Honra-se o mais possível o seu nome, mais doce do que o néctar e mais valioso que toda a pedra preciosa; ninguém ouse o que seria prova de alma vil – pronunciar ímpias blasfêmias contra este nome santíssimo, ornado de tanta majestade e venerável pelo carinho próprio de mãe; nem se atreva ninguém a dizer nada que seja irreverente.

Com vivo e diligente cuidado todos se esforcem por copiar nos sentimentos e nos atos, segundo a própria condição, as altas virtudes da Rainha do céu e nossa Mãe amantíssima. Donde resultará que os féis, venerando e imitando tão grande Rainha e Mãe, virão se sentir verdadeiros irmãos entre si, desprezarão a inveja e a cobiça das riquezas, e hão de promover a caridade social, respeitar os direitos dos fracos e fomentar a paz. Nem presuma alguém ser filho de Maria, digno de se acolher à sua poderosíssima proteção, se à exemplo dela não é justo, manso e casto, e não mostra verdadeira fraternidade, evitando ferir e prejudicar, e procurando socorrer e dar ânimo. (3)

Oração a Nossa Senhora Rainha

Ó Deus, que fizeste a Mãe do vosso Filho nossa Mãe e Rainha, dai-nos, por sua intercessão, alcançar o reino do céu e a glória prometida aos vossos filhos e filhas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

Por Osvaldo Maffei

 

(1) BEINERT, W. (org) O culto a Maria hoje.  3.ed. São Paulo: Paulinas, 1980, p.222–223.

(2) Audiência do papa João Paulo II no dia 23 de Julho de 1997; Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1997/documents/hf_jp-ii_aud_23071997_po.html

(3) Exortação à devoção mariana da carta encíclica do papa Pio XII, AD CAELI REGINAM; Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_11101954_ad-caeli-reginam_po.html