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Artigos e reflexões › 31/12/2013

Novo Ano

19º Domingo do Tempo Comum

Dom Jaime Spengler
Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre (RS)

Iniciando um novo ano, nos damos conta que mais um tempo passou; passou rápido, devagar de mais? Mas, afinal o que é o tempo? O tempo é algo tão próximo de nós, e, ao mesmo tempo, tão difícil de definição. “Se ninguém me perguntar, eu sei; se quiser explicá-lo a quem me fizer a pergunta, já não sei”(Agostinho). Podemos, talvez, afirmar que as primeiras respostas do ser humano a esta questão, foram forjadas a partir da observância do ritmo do sol e das estrelas.

 

Poderíamos também, talvez, dizer que não temos o tempo, mas é ele que nos possui. Por isso, não podemos parar o que inexoravelmente passa, mas podemos sempre e de novo aprender a usá-lo! Assim sendo, a própria possibilidade do novo, nos faz erguer o olhar, alimentar a esperança, desenvolver a criatividade, vislumbrar novas possibilidades e horizontes. O novo desperta em nós o desejo de empenhar-se e dedicar-se na construção e realização do ainda não realizado plenamente, embora talvez, inquiete e angustie. Mas esse é o caminho da realização e do progresso!

 

A força da fé nos orienta para perceber a nossa vida como plena de oportunidades, criatividade, fantasia, possibilidades de sonhar o novo já em nós, dando-lhe forma segundo os nossos sonhos! Somos seres viventes, existimos, somos individualidades, participamos da vida, somos únicos! Tudo isto não nos permite deixar-nos conduzir por determinismos de qualquer espécie. Cada instante que nos é concedido no tempo, é precioso, tem sabor de eternidade! Desse modo, podemos compreender e assumir nossa vida como tarefa a ser atuada no tempo, como ofício de gratidão e realização em lenta construção desenvolvida na oficina do tempo.

É possível assumir a realidade do tempo como pesadelo ou como plenitude de possibilidades, pois existe o abismo do tempo e a convocação à felicidade, à realização, à salvação, à bem-aventurança! O autenticamente novo acontece sempre quando já o buscávamos, o desejávamos, o sonhávamos! Por isso, quando, nestes dias de Ano Novo desejamos às pessoas que vamos encontrando ‘feliz Ano Novo’, ‘bom Ano Novo’, na verdade almejamos o novo, para nós e para os demais; almejamos que este seja conservado para sempre, de modo que o experimentado no tempo, tenha ‘sabor de eternidade’ e que diminua sempre mais a distancia entre o céu e a terra, o humano e o divino.

O primeiro dia do ano é dedicado ao tema da paz! Em sua mensagem para este dia, o Papa Francisco nos recorda que “Cristo abraça todo o ser humano e deseja que ninguém se perca. (…) Fá-lo sem oprimir, sem forçar ninguém a abrir-Lhe as portas do coração e da mente. (….) Deste modo, cada atividade deve ser caracterizada por uma atitude de serviço às pessoas, incluindo as mais distantes e desconhecidas. O serviço é a alma da fraternidade que edifica a paz.

Possa o tempo deste Novo Ano ser rico de boas realizações. Que o tempo á nossa disposição, seja assumido como possibilidade preciosa de cooperação na construção da paz e do bem.