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O amor e a surpresa

Logo PFComo vocês sabem, o amor não combina nada com a rotina, com a mesmice.

Como é bonito ver a relação de um casal de namorados apaixonados na qual um não para de surpreender o outro, dando asas ao amor. Parece que há uma disputa para ver quem surpreende mais, quem é mais criativo.

Isso é assim, pois a essência do amor é encher de amor a pessoa amada. A essência do amor é causar admiração, espanto, ir além dos limites. A origem da palavra surpresa vem do latim, da conjunção da preposição “sobre” e da palavra “presa”, limitada. Ou seja, surpreender é ir além dos limites, levar à altura.

Podemos dizer que quem surpreende age como se quisesse levar a pessoa surpreendida às alturas, ao céu. E não é isso — esse levar a pessoa ao céu — a essência do amor? Claro que sim, pois a essência do amor é fazer muito, muito feliz a pessoa amada. A essência do amor é ir além.

Se por um lado a essência do amor é surpreender, por outro lado, um defeito da nossa natureza é cair na rotina. Eu vejo nesse processo natural de que tudo possa cair na rotina algo permitido por Deus para que nós nunca deixemos de alimentar os sonhos, os ideais, a paixão, o amor.

Agora pensemos em nós:

– meu amor caiu na rotina?

– aquele apaixonamento que havia no namoro deixou de existir?

– tenho lutado contra a rotina no meu casamento?

– tenho feito com freqüência alguma surpresa?

Alguém poderá dizer: puxa, não tenho feito isso, pois meu amor esfriou, não é mais o mesmo do começo.

É preciso lembrar que, de alguma maneira, esse é um processo natural. Toda paixão, toda vibração, seja ela voltada para uma pessoa ou para um sonho, um projeto, tende a diminuir. Tudo o que um dia chegou a ser “o máximo”, tende a ser, passado um tempo, apenas “algo razoável”, e, depois de outro tempo, “algo que faz parte da minha vida”.

Isso é assim no que diz respeito à nossa parte mais sensitiva, a qual não podemos controlar muito. Mas, temos uma força dentro de nós que se chama vontade, que é a capacidade de se empenhar por um ideal. E, se um amor caiu na rotina, a vontade pode tirá-lo dessa situação fazendo atos de amor. Assim, cabe à nossa vontade não deixar que a rotina tome conta do coração.

Pensando na surpresa, mesmo que alguém hoje não sinta nada especial por quem decidiu entregar sua vida, pode, movida pela vontade, tomar a iniciativa de surpreender, pois essa é a essência do amor. E, fazendo isso, não só se sentirá feliz, mas alimentará o amor; e, continuando a fazer atos de amor como a surpresa, a própria paixão que estava oculta dentro do coração, voltará a surgir vigorosa.

Pensando em tudo isso, podemos dizer que a surpresa não pode parar. Se não há surpresa, o amor não é completo.

Vamos fazer o propósito de cultivar as surpresas no amor e fazer com que elas não esmoreçam com o passar do tempo. Elas serão, como sempre, uma manifestação do amor e, ao mesmo tempo, o seu alimento. Vale a pena!

Pe. Paulo Monteiro Ramalho

Doutor em Filosofia pela Pontificia Università della Santa Croce (1993)

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