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Os Santos juninos e as devoções populares

2 Os santos juninos e as devoções populares“Olha pro céu meu amor, vê como ele está lindo…”*

Junho, mês de noites frias, de céu estrelado, de coração em chamas, tempo de celebrar os santos juninos!

O mês de junho é, tradicionalmente, o mês dos Santos populares: Santo Antônio abre os festejos no dia 13, São João aquece os corações com sua tradicional fogueira no dia 24 e São Pedro, no dia 29, responsável pelas chuvas, sempre garante uma linda procissão no mar. As comemorações dedicadas a esses três santos, formam um dos mais alegres ciclos de festas populares no Brasil. Podemos olhar para esses santos como três homens que, no seu tempo, tiveram, mesmo com as suas fragilidades humanas, coragem de proclamar e viver o amor a Deus. Esse mês também é tradicionalmente conhecido pelas iguarias tão apreciadas por todos: a canjica, o bolo de aipim ou de fubá e o pé de moleque, são algumas delícias que atraem e lotam os arraiás. Sem falar do quentão, arroz doce, paçoca e milho cozido. Quem resiste?

Santo Antônio

É um dos santos mais populares em todo o mundo. Nasceu em Lisboa, tornou-se primeiramente agostiniano, mas depois ingressou na Ordem franciscana, da qual foi um dos maiores expoentes. Pregou na Itália e no sul da França, conseguindo muitos milhares de conversões. Foi um evangelizador incansável. Repetia que o grande perigo do cristão era pregar e não praticar, crer, mas não viver de acordo com o que se acreditava. Os favores que consegue são imensos. É muito amado e invocado pelo povo humilde que vê nele um protetor dos pobres e necessitados.

“Que seria de mim, meu Deus, sem a fé em Antônio?”

Normalmente representado carregando o menino Jesus em seus braços, Santo Antônio ficou conhecido como “santo casamenteiro” e é sempre o mais invocado para auxiliar moças e rapazes solteiros a encontrarem seus pares. Mas não é só o título de casamenteiro que Santo Antônio carrega. Ele também é conhecido por ajudar as pessoas a encontrarem objetos perdidos. Como bom franciscano, Santo Antônio tem uma história peculiar com os animais. Dizem que numa cidade onde as pessoas não queriam ouvir sua pregação, ele foi para a beira do rio pregar para os peixes. Um impressionante cardume se amontoou para ouvi-lo falar de Jesus.

São João

O que o tornou tão importante para a história do Cristianismo é que, além de ser o último profeta a anunciar o Messias, foi ele quem preparou o caminho do Senhor. Suas pregações chamavam os fiéis à mudança de vida e ao batismo de penitência. Grande anunciador do Reino e denunciador dos pecados, ele foi preso por não concordar com as atitudes pecaminosas de Herodes. O grande santo morreu decapitado e sua santidade foi reconhecida pelo próprio Cristo: “Em verdade eu vos digo, dentre os que nasceram de mulher, não surgiu ninguém maior que João, o Batista” (Mateus 11,11).

“São João, São João, acende a fogueira do meu coração”

Centenas de turistas se deslocam para o Nordeste do Brasil para festejar São João. As cidades nordestinas o reverenciam, pois São João é muito querido por todos. Moças e rapazes, idosos e crianças o festejam nas orações, nas adivinhações e nas brincadeiras em volta da fogueira. Fogos de artifício e balões coloridos, além de quermesses, bandas de forró, sanfoneiros e grupos de dança animam o arraiá e marcam os festejos desse querido santo. Manda a tradição popular que se acenda uma fogueira à porta de cada casa para lembrar a fogueira que Santa Isabel acendeu para avisar à Nossa Senhora do nascimento do seu filho.

São Pedro

Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro.

Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão. O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o Apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que confirmou sua liderança na primeira comunidade cristã.

“Salve, salve São Pedro, pescador da Galileia”

São Pedro foi o primeiro Papa da história, o Apóstolo para quem Jesus deu as chaves do céu. Acredita-se, também, que ele tenha outra grande responsabilidade: a de fazer chover e controlar o clima. Por isso dizemos que, quando chove, São Pedro está lavando o céu. Em homenagem ao santo, os fiéis fazem procissões terrestres e marítimas, acendem fogueiras, erguem mastros com sua bandeira e queimam fogos. Ao redor da fogueira, cantigas animadas embalam as danças. São Pedro encerra os festejos juninos, mas mantém acesa a chama da fé que nos mantém firmes na caminhada.

Viva Santo Antônio, São João e São Pedro!

* Artigo originalmente publicado na revista Recreio Católico de junho de 2016, acessível em http://imaculadarecreio.org.br/banca/recreio-catolico-junho-2016

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